| Agora que você já me acostumou |
| A andar com os pés no chão, levitando; |
| Me surpreender sorrindo sem ter por quê. |
| Agora que você já me iluminou, |
| Chegou feito a manhã, clareando; |
| Entrando pelas frestas do meu viver. |
| Agora que você, mesmo sem querer, |
| Me envenena o sangue nas veias |
| E deixa à flor da pele os desejos meus. |
| Agora que eu já sou, e é bom de ser |
| Uma presa feliz da sua teia, |
| Você vem me dizer simplesmente adeus. |
| Me diz como se faz quando se sente |
| A vida de repente sem saída, sem razão. |
| Me diz como se vive nessa hora |
| E o que é que eu digo agora pro meu coração. |
| Agora que esse amor é tão grande assim, |
| E envolve a noite em doces gemidos |
| Enchendo de energia os dias meus. |
| Agora que a alegria transborda em mim, |
| Vazando pelos cinco sentidos, |
| Você vem me dizer simplesmente adeus. |