| Você fala, e eu não entendo |
| resmunga alguma coisa continuo não sabendo |
| tento responder mas você fica mudo |
| pergunto pra mim mesmo será que ele é surdo? |
| Ele fica ali parado, espantado me olhando |
| acho que se duvida ele também ta pensando |
| que eu não escuto, que também sou surdo |
| mas não é nada disso a gente só não se entende |
| somos a mesma criatura em sintonias diferentes. |
| Condições parecidas e feições semelhantes |
| lhe mostro minha carteira e seu olho fica grande |
| saco uma de 100 e sua mão se estende |
| penso comigo mesmo, acho que isso ele entende |
| guarda ela no bolso e num é que o safado então me cruza os braços, |
| vira as costas e sai andando e me deixa ali sozinho, |
| plantado, falando. |
| (REFRÃO) |
| Babel, |
| onde as pessoas não se entendem, |
| falam em língua diferente |
| querem o bem mas fazem o mal. |
| Babel, |
| todos querem sua parte |
| seja em dólar ou real, |
| euro ou metal. |
| Babel, |
| jogam um jogo desleal |
| figurarem de mentira |
| uma torre surreal. |
| Babel, babel, babel, babel, babeeeeel. |
| Dois minutos antes eu tava andando pela rua |
| passei por um farol de uma esquina escura |
| mó breu, pouco carro, nem uma viatura. |
| Peguei um neguim que colou numa perua |
| uma tia sozinha num carrão bacana |
| o neguim bate no vidro e pede uma grana |
| a tiazona diz que não e desencana. |
| Ele fala outro idioma, pra ela é de outro mundo. |
| O neguim ficou bravo, o neguim ficou fulo |
| levantou a blusa e sacou de uma tremenda quadrada, cromada |
| que iluminou mais que a lua aquela madrugada |
| a caranga num era blindada e o neguim ganhou a fita |
| deu três teco no peito daquela coroa rica |
| que ficou sangrando ali. |
| E o neguim saiu vuado |
| mandou «Hasta la vista» |
| deu linha na pipa |
| largou na minha mão. |
| Mas que B.O. pra eu segurar |
| fui de perto da conferi e cheguei junto pra olhar |
| num tinha o que fazer intão saí para buscar |
| alguém em São Palo que pudesse ajudar. |
| Econtrei um pãogão que não era sangue bom |
| disse que a coitada tava pra morrer |
| ofereci dinheiro pra ele ir junto socorrer |
| so que ele ignorou |
| virou as costas e vazou. |
| Eu disco 190 no primeiro orelhão |
| só sinal de ocupado |
| explode o coração |
| na terceira atendeu |
| «Alô Corporação» |
| ta ruim a ligação e atendente não me entende |
| que cidade decadente |
| mas que final cruel |
| e nessa noite la se vai outra filha de Babel. |
| (REFRÃO) |
| Babel, |
| onde as pessoas não se entendem, |
| falam em língua diferente |
| querem o bem mas fazem o mal. |
| Babel, |
| todos querem sua parte |
| seja em dólar ou real, |
| euro ou metal. |
| Babel, |
| jogam um jogo desleal |
| figurarem de mentira |
| uma torre surreal. |
| Babel, babel, babel, babel, babeeeeel. |